Jogos Olímpicos – “As bolhas”

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Water Cube

Chamado de “Water Cube”, o Beijing National Aquatics Centre (principal edifício dos esportes aquáticos dos Jogos Olímpicos desse ano) é projeto do escritório australiano PTW Architects com a consultoria do Arup. O pavilhão (adjacente ao Estádio Nacional), possui aproximadamente 2.200m2 e capacidade para 17 mil espectadores. Sua estrutura externa (feita em aço) foi projetada a partir do desenho da formação natural de bolhas de sabão. Assim como o Estádio Nacional, a imagem transmitida pela obra é praticamente instantânea, porém não é gratuita na essência, conforme o próprio arquiteto Andrew Frost, diretor da PTW diz:

“O conceito do Water Cube é simples e conciso: um quadrado que em última análise utiliza a teoria de bolhas para criar a estrutura e seu revestimento, e é isso que torna o projeto tão diferente. Parece aleatória a brincadeira com o sistema estrutural, porém matematicamente é rigoroso e repetitivo. A transparência da água, juntamente com o sistema de bolhas, convida aqueles que tanto dentro como fora da estrutura a considerar as suas próprias experiências com a água.”

Estruturalmentre, no Water Cube as vigas e os pilares se diluem no sistema alveolar da fachada, ao mesmo tempo em que estão presentes nas formas poligonais de cada módulo-bolha. As peças não estão presentes como no sistema estrutural convencional, mas se recorre ao comportamento presente na natureza para que a transmissão das tensões ocorra de maneira correta (pois não podemos esquecer que a cobertura também é estruturada a partir desses módulos). De maneira idêntica ao Estádio de Herzog & de Meuron ao lado, a forma tem relação direta com a estrutura, pois a fachada é auto-portante onde nada é supérfluo.

WatercubebubbledetailO material que reveste a estrutura é o ETFE (Ethyleno tetrafluoroethyleno), um polímero composto por fluorocarbono semelhante ao plástico, porém projetado para ter alta resistência a corrosão e a grandes diferenças térmicas. Com ele, 90% da energia solar é canalizada para o aquecimento da água das piscinas e do seu interior. É esse material que permite que a imagem do edifício seja uma novidade, pois sem ele talvez nenhum outro tipo de material (como o vidro, por exemplo) pudesse realizar tal tarefa.

Crown Hall - Mies Van der Rohe

Watercube

A meu ver, fica quase impossível não relacionar o Water Cube com alguma obra moderna, neste caso, o Crown Hall de Mies Van der Rohe (esq). A geometria racional e extremamente controlada em contraponto a uma modulação não-retangular da fachada, porém compondo estruturas volumetricamente muito semelhantes. Nos dois, é evidente o rigor do projeto e a função estrutural de tudo o que está visível. Cada um lança mão da tecnologia de sua época em favor de uma arquitetura que, apesar de possuir funções distintas, busca transmitir de forma muito semelhante a coerência entre forma, material e estrutura.

  • Ótimo artigo em português sobre a arquitetura do Water Cube aqui.
  • Fotos da obra, aqui.
  • Vídeo com reportagem sobre a inauguração, aqui.
  • Site oficial aqui.
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Uma resposta to “Jogos Olímpicos – “As bolhas””

  1. Jogos Olímpicos - “O Dragão” « Blog Arqfeevale Says:

    […] posts sobre Pequim no Arqfeevale: aqui e […]

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