Museu do Pão, farinha de outro saco: o da ARQUITETURA!

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ARQUITETONICAMENTE 1

UMA QUESTÃO DE EMOÇÃO

Para entender um pouco deste atrapalhado e apaixonado texto é obrigatória leitura dos posts da Profa. Ana Carolina, do Prof. Juliano Vasconcellos e o comentário do Prof. José Arthur.

Arquitetura, ser arquiteto, discutir arquitetura, tentar ensinar arquitetura é paixão. É uma profissão e curso que até pode ser vivenciado burocraticamente, mas que desta forma logo perderá o caráter da ARQUItetura que tentamos professar.

O texto emocionado da Ana, Pão e Circo é pura ARQUItetura. ARQUItetonicaMENTE falando.

Ao contrário dela, me emociono fácil. O texto tocou no fundo da alma, talvez por estar ansioso em saber os depoimentos dos colegas e alunos sobre a viagem. Apesar de não ter podido estar de corpo presente (em aula no sábado) em espírito vocês podem estar certos de que eu estava lá. Várias vezes durante o sábado me vi pensando sobre o que estariam fazendo, o que estariam vendo, e louco por nosso encontro da segunda-feira na Feevale.

Os textos postados passam alegria, transbordam prazer arquitetônico, apaixonam a quem lê. São puras manifestações de felicidade, através deles acho que conseguimos viajar por outra dimensão da arquitetura, a dimensão dos sentidos. Arquitetura toca a alma, o coração. Arquitetura se vê com o nariz, com os ouvidos, se vê com as mãos, com a pele. Arquitetura é puro prazer.

Os depoimentos dos colegas Ana e Juliano, e com certeza dos outros “sabadarquianos” da estrada, estão fortemente ligados ao depoimento do colega Arthur no post anterior. Sim, ARQUITETURA (verdadeira e boa arquitetura) DÁ FELICIDADE! E que FELICIDADE.

Como professor de História, também sempre me emociono ao visitar qualquer dos lugares que constam de nossa bibliografia básica, uns mais outros menos.

Mas, emocionar-se com o novo é estar com a alma aberta a viver a vida e a arquitetura, experimentar o frio concreto como calor que queima a alma pela paixão da arquitetura, e como disse o Prof. Juliano vindo de Sampa, “o concreto é o melhor amigo do homem” em muitas situações, quando usado correta e coerentemente.

Emocionar-se com o simples, não necessitamos de malabarismos, materiais caros, exuberância carnavalesca, não, a simplicidade é elegância. Singelas soluções de um espetáculo grandioso, como o Museu do Pão.

Arquitetura é espaço, é emoção, é algo a ser vivido e vivenciado. Arquitetura é complexidade, é conjunto de soluções, mas antes de tudo é arquitetura. É como a boa música, que encanta e que nos faz viajar através das melodias, independente de gostarmos de determinado ritmo, nos recheia a alma. Lembro de algumas pessoas na viagem do curso a Buenos Aires em 2007, que ao ouvir Adiós Nonino, no Café Tortoni, e outros tangos saíram embevecidos pela melodia, e talvez muitos deles, nunca tenham parado para ouvir um tango antes.

Ver as leituras e citações da história através do Museu do Pão reforça o que falamos, eu, Ana, Leandro e Juliano (desculpem se esqueço de alguém): a história é puro projeto, olhar a história da arquitetura como fonte insaciável de prazer, estudo e repertorização para nossa profissão. Olhar o passado como referencial para o presente, é entender a história como algo vivo, presente, e que não quer ser copiada, mas entendida!

Arquitetura é tudo, é conjunto! E se falei de história, busco ajuda do velho Vitrúvio e sua tão falada e às vezes mal entendida tríade: firmitas, utilitas e venustas.

Para ser ARQUITETURA não adianta só funcionar (utilitas), e entenda-se funcionar no sentido mais amplo da expressão, funcionar em todos os quesitos arquitetônicos, desde a simples funcionalidade a complexa questão social.que envolve a arquitetura.

Para ser ARQUITETURA não adianta ser perfeito tecnicamente e parar de pé (firmitas), estar de acordo com as mais avançadas normas e técnicas construtivas de construção, suportar terremotos ou tsunamis e atravessar séculos. A durabilidade não garante qualidade arquitetônica.

Arquitetura tem de tocar a alma, tem falar ao coração, tem que ser pura Venustas. Mas obviamente, da mesma forma também não adianta ser só venustas, precisa o suporte da dimensão material para lhe garantir esta qualidade.

E neste sentido é necessário um olhar contemporâneo para o texto de Vitrúvio e entender que a tríade proposta no tratado (citada uma vez só) em nenhum momento se coloca como tríade, de pesos iguais pelo autor, mas que, firmitas e utilitas são dimensões materiais (e fundamentais) da arquitetura que compõe o aspecto fundamental, de VENUSTAS! E entenda-se venustas também no sentido mais amplo de sua acepção: beleza, deleite, prazer,… .emoção. Venustas, o componente abstrato, na dimensão da alma e da emoção que confere à construção algo tão difícil de ser explicado, mas tão emocionante de ser vivenciado, o significado arquitetônico da obra. ARQUItetonicaMENTE falando, o importante é ser ARQUITETURA e boa, como o caso do Museu do Pão.

Para encerrar este confuso post: já dizia o velho Vitrúvio: “o olho procura o belo”, ou o poeta: “desculpem as feias, mas beleza é fundamental.”

NESTE CASO, DESCULPE A SIMPLES CONSTRUÇÃO, MAS ARQUITETURA É FUNDAMENTAL!!!!

E viva o Museu do Pão que nos faz acreditar na possibilidade boa arquitetura entre nós!!!

E vem aí a inauguração da Fundação Iberê Camargo.

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2 Respostas to “Museu do Pão, farinha de outro saco: o da ARQUITETURA!”

  1. Profª. Arq. Ana Carolina Says:

    É isso aí, Rinaldo e colegas!Venustas, já! Parabéns ao amigo pelo texto e obrigada pelas carinhosas referências.

  2. Prof. Arq. Juliano Vasconcellos Says:

    É isso aí!!! O texto é um ode ao que importa!

    Viva venustas! O resto é só “bíade vitruviana”! 😛

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