A autoria na academia: virtudes, criatividade e aprendizagem

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Comumente temos muitas razões para nos orgulharmos de nossos desenhos e projetos, afinal, são produtos de longos períodos de labuta e meditação. Também é fato que nem sempre, por contingências do momento, os trabalhos ou exercícios e estudos fluem do modo como idealizamos.  A autoria de um trabalho lida com as demandas e com aspectos cotidianos e embora estes e outros aspectos possam impactar a fluidez dos trabalhos, sua legitimidade faz parte dos deveres autorais.  Assim, entre êxitos e esforços, há razões de sobra para a autoria manter-se cristalina: no uso de suas habilidades, o autor tem a demonstração de suas competências e, no uso da criatividade e da inventividade, tem a comunicação expressiva da ideia conforme os objetivos e fins almejados.

O assunto destas linhas aborda algumas vicissitudes e virtudes quanto à autoria de trabalhos na universidade, em específico em cursos de arquitetura e urbanismo embora a análise também caiba em outros cursos universitários, se apoia em algumas normas e leis, sem entrar em seus detalhes, e pretende comentar sobre três aspectos da autoria: como mostra de procedência; como comprovação de habilidades; como oportunidade de ser criativo.

Neste nosso mundo afora e na comunidade em que atuamos é de comum consenso que a obra intelectual (artística, técnica ou científica) tenha que ter desembaraçada sua autoria ou procedência, pois o autor tem garantias sobre seus direitos morais e patrimoniais advindos do uso e cessão de sua obra e da fruição dos benefícios, bem como é suscetível a penalidades já que eventuais situações nebulosas nestas instâncias podem se constituir em infrações éticas.

O que mais nos parece circunstancial na lida com os campos de atuação da arquitetura, assim como em outros campos, é que tanto o exercício acadêmico quanto a prática profissional necessitam que a autoria de estudo, projeto, serviço ou obra não seja confusa. Reside nesta premissa que o clareamento da autoria demonstra na academia, ao menos, a apresentação qualitativa de habilidades e competências em uma formação probatória que busca habilitar para o futuro profissional.

Na universidade, o estudo e o exercício das tarefas gráficas de representação e de projetação de uma ideia são fundamentais para a formação em arquitetura e, assim, sofrem procedimentos comprovatórios constantes. Deste modo, embora possa parecer repetitivo reafirmar a necessidade de clareza autoral, é bom relembrar que a legitimidade da autoria ou de sua validade, como comprovação de habilidade, exige do autor acadêmico uma disposição ao processo avaliativo e não uma acomodação a uma zona de conforto na qual julgue suficiente algum subterfúgio.

Geralmente, a atividade de exercitar possui algumas situações árduas, porém usuais. Todavia, são temporárias e são minimizadas pelo aprendizado absorvido ao longo do exercício. Assim, pretextos e evasivas aos procedimentos de alguma atividade acadêmica devem ser evitados, uma vez que podem afastar o aprendizado ou o uso dos instrumentos criativos e porque os obstáculos a se transpor em um exercício ou tarefa caracterizam a situação.

Na verdade, são justamente os processos criativos que podem ajudar o acadêmico a superar-se e a proceder com maiores eficiência e competência. Uma real produção de efeitos e a segurança de um bom resultado parecem constantemente depender mais de entender que a criatividade é lidar com limites e contextos específicos. Ostrower, em seu livro ‘Criatividade e processos de criação’, nos diz que: “a própria aceitação dos limites – das delimitações que existem em todos os fenômenos, em nós e na matéria a ser configurada por nós – é o que nos propõe o real sentido da liberdade de criar”. Vários autores com propostas didáticas para o desenho expressivo e criativo propõem estratégias para o procedimento gráfico; temos hoje a soma das habilidades manuais – que são vertentes originalmente humanas – com as tecnologias digitais e eletrônicas, isto é, a possibilidade de desenvolver um projeto arquitetônico, de desenhá-lo e de montar sua representação gráfica, manual, eletrônica ou em diversos suportes midiáticos, não se constitui como mero elemento comprovatório, mas essencialmente como uma possibilidade de exercermos o direito a criatividade e a inovação, itens que surgem de nossa intelectualidade e talento desenvolvido justamente através destes exercícios, delimitados aos objetivos e contextos específicos.

Enfim, a oportunidade de realizar um exercício de desenho ou de projeto pode visar mais do que o horizonte da aprovação, pois é uma oportunidade de crescer e de evoluir como pessoa ao superar módulos que caracterizam as etapas do desenho expressivo e do projeto criativo e comunicativo.  Destarte, o estudante é aquele que se insere no ciclo provatório, onde muitas vezes o refazer de etapas é necessário como renovação de possibilidades quanto ao fazer adequadamente. Ter a oportunidade de melhorar e recuperar-se é renovar-se dentro do ciclo. Pensar apenas em seguir adiante, sem se importar devidamente com os meios e resultados necessários, é desconsiderar em muito a formação ideal de habilidades mínimas e a oportunidade de aprender que se apresenta pela circunstância acadêmica.

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