Archive for the ‘Arquitetura Brasileira’ Category

Banco de Imagens de Arquitetura Brasileira NO AR!

terça-feira, 19 junho, 2012


Imagem: Acad. Carla Kaiser

por Prof. Bruno Mello

Comunidade acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da FEEVALE,

Já está disponível o primeiro conjunto de imagens do acervo digital do Banco de Imagens de Arquitetura Brasileira organizado pelo Laboratório de Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo. Para acessar as imagens basta clicar no link abaixo:

As imagens estão separadas por tags que orientarão sua consulta e ajudarão na pesquisa por temas. Você poderá também acessar, através do Google Earth, a posição exata da obra no mapa brasileiro. A catalogação já em andamento está organizando imagens de exemplares da arquitetura colonial, neoclássica, eclética e modernista de cidades nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Estas imagens poderão contribuir como material de suporte a trabalhos acadêmicos.

A catalogação recebeu novas doações de professores e estudantes, o que ampliou a abrangência de obras disponíveis. Mas continuamos necessitando de mais material. Se você tem imagens de Arquitetura Brasileira e tem interesse em contribuir com o LAB THAU, doe suas fotografias para o acervo entrando em contato através do e-mail labthau@feevale.br ou fale com o Professor Bruno Mello.

A autorização da cessão das fotos é efetivada através da assinatura de um contrato de cedência de uso. Todas as imagens doadas terão a citação de autoria destacada em uma “etiqueta digital” incorporada a foto.

Contamos com a colaboração de todos!

Novo Banco de Imagens da Arquitetura e Urbanismo

quinta-feira, 24 novembro, 2011

por Prof. Bruno Mello

Prezados leitores,

O Laboratório de Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo está trabalhando na criação de um Banco de Imagens de Arquitetura Brasileira. Estas imagens constituirão um acervo digital que poderá ser consultado por acadêmicos e docentes do curso como suporte para pesquisas e trabalhos acadêmicos. A catalogação já em andamento está organizando imagens de exemplares da arquitetura colonial, neoclássica, eclética e modernista de cidades nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O acervo já totaliza mais de 5.000 imagens.

Para ampliar este banco de imagens do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Feevale à disposição da comunidade acadêmica o Laboratório conta com a colaboração de todos. A construção deste banco de imagens está sendo realizado a partir de doações de imagens. Desta forma, se você tem imagens de Arquitetura Brasileira e tem interesse em contribuir com o LAB THAU, doe suas fotografias para o acervo entrando em contato através do e-mail labthau@feevale.br ou fale com o Professor Bruno Mello.

A autorização da cessão das fotos é efetivada através da assinatura de um contrato de cedência de uso. Todas as imagens doadas terão a citação de autoria destacada em uma “etiqueta digital” incorporada a foto.

Contamos com a colaboração de todos!

Arqfeevale 10, Brasília 50

terça-feira, 6 julho, 2010

Em ano de aniversários importantes, não podíamos deixar de lembrar de nossa Capital Federal, que completou 50 anos em 21 de abril.

Para comemorar, estamos lançando mais uma viagem de estudos promovida pela disciplina de Projeto 6, adivinhem para onde??  clique aqui

Aula Inaugural do Curso de Arquitetura e Urbanismo 2009/01

terça-feira, 3 março, 2009

Studio Paralelo

De Benevolo a Studio Paralelo

A Aula Inaugural do Curso de Arquitetura e Urbanismo 2009/01 trará a tona algumas polêmicas: há arquitetura de excelência na América Latina? Jovens arquitetos têm uma produção relevante? Procurando discutir estas questões, a noite se iniciará com uma entrevista realizada pela professora Ana Carolina Pellegrini com o renomado historiador e arquiteto italiano Leonardo Benevolo, por ocasião do lançamento de seu novo livro Arquitetura no Novo Milênio. Nela, Benevolo discute sobre a arquitetura contemporânea, e sustenta que a produção qualificada de arquitetura hoje se concentra na Europa, sobretudo nas mãos de arquitetos mais experientes. Procurando contrapor essa visão, na seqüência da apresentação da entrevista gravada em Brescia no ano passado, contaremos com a presença do arquiteto Luciano Andrades, do escritório de arquitetura Studio Paralelo de Porto Alegre, que apresentará sua recente produção, bastante elogiada pela crítica nacional (http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura891.asp). Finalizando a noite, teremos também o lançamento da quarta edição do livro Bloco, produzido anualmente pelo curso de Arquitetura e Urbanismo da Feevale, e que, nesta edição, procurou tratar da relação do Arquiteto com a Sociedade.

Data: 11/03/2009

Hora: 19:30

Local: Auditório Azul – Campus II – Feevale

2º Fórum Pró-Patrimônio Cultural

quarta-feira, 30 julho, 2008

No próximo dia 16 de agosto acontecerá o 2º Fórum Pró-Patrimônio Cultural, promovido pelo Curso de Arqutietura e Urbanismo da Feevale e pela Associação dos Arquitetos e Engenheiros Civis de Novo Hamburgo – ASAEC, com o patrocínio do CREA-RS.

O Fórum terá como objetivo promover a discussão e a sensibilização da comunidade local sobre a importância da preservação dos centros históricos, como patrimônio cultural e meio de desenvolvimento sustentado das comunidades envolvidas. Através de intervenções exemplares e de depoimentos de agentes envolvidos na preservação, o fórum se propõe a apresentar diferentes maneiras de intervenção e modos de organização estatal e da comunidade para atingir os objetivos traçados. O Fórum se integra ainda às atividades relativas ao Dia do Patrimônio Histórico, que se comemora no dia 17 de agosto, em todo o Brasil.

Como palestrantes teremos:
ARQ. MARCELO FERRAZ, sócio da Brasil Arquitetura (
http://www.brasilarq.com.br/) e autor de um dos projetos mais importantes deste ano, o Museu do Pão (https://arqfeevale.wordpress.com/2008/04/28/pao-e-circo/), em Ilópolis, que aliou arquitetura, resgate histórico e turismo.
ARQ. BETINA ADAMS, do IPUF – Instituto do Patrimônio de Florianópolis (
http://www.ipuf.sc.gov.br/), que nos trará a experiência desenvolvida em Santa Catarina, que tem conseguido aliar a participação da comunidade com a preservação;
ARQ. ALOÍSIO DAUDT, profissional de Novo Hamburgo, que nos trará a experiência de anos trabalhando no levantamento de edificações históricas.

Na parte da manhã, o evento se dará no auditório do Campus 1 da Feevale, que representa para nós as raízes da Feevale em Hamburgo Velho.
Para o almoço, a Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho estará nos recebendo com pratos típicos alemães, e a verba arrecada será revertida para os trabalhos de restauração da Igreja.
A tarde haverá uma caminhada pelo bairro, e palestras na Fundação Scheffel.
Para o encerramento, teremos a performance da artista DAGGI DORNELLES, que trabalha a relação da arte, dança e cidade (http://floresurbanas.blogspot.com/)

Mais informações e inscrições:
(www.feevale.br/forumpatrimonio)

 


 

 

 

Missões

sexta-feira, 9 maio, 2008

Como todos sabem, neste próximo dia 22 de maio, feriado de Corpus Christi, estaremos empreendendo nossa viagem de estudos às missões. É claro que a decisão de realizar a viagem em um feriado religioso se deu apenas por questões práticas, mas a coincidência me fez refletir, pois o que estaremos visitando são os remanescentes de uma experiência singular na nossa história, seja pelo caráter desbravador e demarcador de nosso território, seja pela crueldade dos atos cometidos, seja pela herança cultural que esta vivência forçada entre religiosos europeus e índios deixou para nós gaúchos.
Do ponto de vista arquitetônico e urbanístico, as ruínas impressionam pela riqueza do trabalho na pedra, que reflete a reinterpretação dos ideais europeus pelas mãos indígenas, e pelo regramento do traçado urbano, que em contraste com o entorno ainda rural e o isolamento, sobretudo no Paraguai, nos permite perceber a real magnitude destas obras.

Lembrete aos participantes: carteira de identidade em ordem e certificado internacional de vacinação contra febre amarela.

Ainda há esperança

quinta-feira, 8 maio, 2008

Ft1

Não vou me alongar. Recomendo a visita ao Arco Web que traz na capa do site uma chamada para esta casa, projeto recém concluído de Gustavo Penna em Nova Lima/MG.

Chama a atenção a qualidade dos espaços internos:

Ft16

Museu do Pão e agora esta casa. Ainda há esperança de boa arquitetura no Brasil.

Museu do Pão, farinha de outro saco: o da ARQUITETURA!

segunda-feira, 28 abril, 2008

ARQUITETONICAMENTE 1

UMA QUESTÃO DE EMOÇÃO

Para entender um pouco deste atrapalhado e apaixonado texto é obrigatória leitura dos posts da Profa. Ana Carolina, do Prof. Juliano Vasconcellos e o comentário do Prof. José Arthur.

Arquitetura, ser arquiteto, discutir arquitetura, tentar ensinar arquitetura é paixão. É uma profissão e curso que até pode ser vivenciado burocraticamente, mas que desta forma logo perderá o caráter da ARQUItetura que tentamos professar.

O texto emocionado da Ana, Pão e Circo é pura ARQUItetura. ARQUItetonicaMENTE falando.

Ao contrário dela, me emociono fácil. O texto tocou no fundo da alma, talvez por estar ansioso em saber os depoimentos dos colegas e alunos sobre a viagem. Apesar de não ter podido estar de corpo presente (em aula no sábado) em espírito vocês podem estar certos de que eu estava lá. Várias vezes durante o sábado me vi pensando sobre o que estariam fazendo, o que estariam vendo, e louco por nosso encontro da segunda-feira na Feevale.

Os textos postados passam alegria, transbordam prazer arquitetônico, apaixonam a quem lê. São puras manifestações de felicidade, através deles acho que conseguimos viajar por outra dimensão da arquitetura, a dimensão dos sentidos. Arquitetura toca a alma, o coração. Arquitetura se vê com o nariz, com os ouvidos, se vê com as mãos, com a pele. Arquitetura é puro prazer.

Os depoimentos dos colegas Ana e Juliano, e com certeza dos outros “sabadarquianos” da estrada, estão fortemente ligados ao depoimento do colega Arthur no post anterior. Sim, ARQUITETURA (verdadeira e boa arquitetura) DÁ FELICIDADE! E que FELICIDADE.

Como professor de História, também sempre me emociono ao visitar qualquer dos lugares que constam de nossa bibliografia básica, uns mais outros menos.

Mas, emocionar-se com o novo é estar com a alma aberta a viver a vida e a arquitetura, experimentar o frio concreto como calor que queima a alma pela paixão da arquitetura, e como disse o Prof. Juliano vindo de Sampa, “o concreto é o melhor amigo do homem” em muitas situações, quando usado correta e coerentemente.

Emocionar-se com o simples, não necessitamos de malabarismos, materiais caros, exuberância carnavalesca, não, a simplicidade é elegância. Singelas soluções de um espetáculo grandioso, como o Museu do Pão.

Arquitetura é espaço, é emoção, é algo a ser vivido e vivenciado. Arquitetura é complexidade, é conjunto de soluções, mas antes de tudo é arquitetura. É como a boa música, que encanta e que nos faz viajar através das melodias, independente de gostarmos de determinado ritmo, nos recheia a alma. Lembro de algumas pessoas na viagem do curso a Buenos Aires em 2007, que ao ouvir Adiós Nonino, no Café Tortoni, e outros tangos saíram embevecidos pela melodia, e talvez muitos deles, nunca tenham parado para ouvir um tango antes.

Ver as leituras e citações da história através do Museu do Pão reforça o que falamos, eu, Ana, Leandro e Juliano (desculpem se esqueço de alguém): a história é puro projeto, olhar a história da arquitetura como fonte insaciável de prazer, estudo e repertorização para nossa profissão. Olhar o passado como referencial para o presente, é entender a história como algo vivo, presente, e que não quer ser copiada, mas entendida!

Arquitetura é tudo, é conjunto! E se falei de história, busco ajuda do velho Vitrúvio e sua tão falada e às vezes mal entendida tríade: firmitas, utilitas e venustas.

Para ser ARQUITETURA não adianta só funcionar (utilitas), e entenda-se funcionar no sentido mais amplo da expressão, funcionar em todos os quesitos arquitetônicos, desde a simples funcionalidade a complexa questão social.que envolve a arquitetura.

Para ser ARQUITETURA não adianta ser perfeito tecnicamente e parar de pé (firmitas), estar de acordo com as mais avançadas normas e técnicas construtivas de construção, suportar terremotos ou tsunamis e atravessar séculos. A durabilidade não garante qualidade arquitetônica.

Arquitetura tem de tocar a alma, tem falar ao coração, tem que ser pura Venustas. Mas obviamente, da mesma forma também não adianta ser só venustas, precisa o suporte da dimensão material para lhe garantir esta qualidade.

E neste sentido é necessário um olhar contemporâneo para o texto de Vitrúvio e entender que a tríade proposta no tratado (citada uma vez só) em nenhum momento se coloca como tríade, de pesos iguais pelo autor, mas que, firmitas e utilitas são dimensões materiais (e fundamentais) da arquitetura que compõe o aspecto fundamental, de VENUSTAS! E entenda-se venustas também no sentido mais amplo de sua acepção: beleza, deleite, prazer,… .emoção. Venustas, o componente abstrato, na dimensão da alma e da emoção que confere à construção algo tão difícil de ser explicado, mas tão emocionante de ser vivenciado, o significado arquitetônico da obra. ARQUItetonicaMENTE falando, o importante é ser ARQUITETURA e boa, como o caso do Museu do Pão.

Para encerrar este confuso post: já dizia o velho Vitrúvio: “o olho procura o belo”, ou o poeta: “desculpem as feias, mas beleza é fundamental.”

NESTE CASO, DESCULPE A SIMPLES CONSTRUÇÃO, MAS ARQUITETURA É FUNDAMENTAL!!!!

E viva o Museu do Pão que nos faz acreditar na possibilidade boa arquitetura entre nós!!!

E vem aí a inauguração da Fundação Iberê Camargo.

Pão e Circo

segunda-feira, 28 abril, 2008

Semana passada, eu conversava com meu colega e amigo, Juliano, parceiro de Bloco, sobre arquitetura e emoção. Juliano, recém-chegado de um feriadão em São Paulo, falava, empolgado, sobre como a arquitetura, dentre todas as artes, era a que mais o emocionava. Eu, em silêncio, admirava a empolgação dele e pensava sobre o quão dura havia me tornado nos últimos tempos. Perguntei para ele o que sentia quando experienciava essa tal emoção – afinal, eu sempre me considero tão insensível em relação ao belo… Ele disse que, quando algo o emocionava, não conseguia parar de pensar. Lembrava do edifício a todo tempo, como uma idéia fixa. A resposta, de certa forma, me surpreendeu. É que mulher costuma associar a emoção às lágrimas. Aliás, emoção dessas, de mulherzinha, eu senti mesmo foi quando vi “O Beijo”, de Gustav Klimt. Fiquei paralisada na frente do quadro, exposto no Belvedere, em Viena. Com um nó na garganta, segurei-me para não chorar, porque meu irmão estava junto. E eu não sei bem o porquê, mas não choro na frente de ninguém da minha família. Agora, edifícios não me levavam às lágrimas. Juliano, então, falou-me sobre o vão do MASP. Relatou-me sobre como aqueles 74 metros de vão livre foram capazes de emocioná-lo. E foi aí que me dei conta de que uma das mais recentes – e fortes – emoções que eu senti aconteceu justamente ali, depois do almoço no restaurante do museu paulista. Entretanto o que eu queria mesmo era contabilizar as experiências exclusivamente arquitetônicas. Aos poucos, comecei a vasculhar a mente e o coração e encontrei minha primeira vez na Grand Place, em Bruxelas; um fim de tarde no Capitólio, todas as vezes em que entrei no Pantheon; a Fábrica de Turbinas do Peter Behrens, em Berlim (como é difícil de chegar!); o Convento de La Tourette; o Pavilhão do Mies…

Só que todas essas impressões fortes poderiam ser atribuídas ao fato de que eu sou professora de História da Arquitetura, e que visitar os edifícios que mostramos em aula é sempre muito legal.

Neste sábado, no entanto, a coisa foi diferente. Fui visitar o recém-inaugurado Museu do Pão, na cidade de Ilópolis, com um grupo de estudantes e colegas da Feevale.

Acostumada a viajar por lugares como Roma, Paris, Berlim, Barcelona, Viena, etc. fiquei muito surpresa e encantada por ter encontrado, na interiorana cidadezinha gaúcha, uma jóia da arquitetura brasileira.

O tempo não estava ajudando. Chuvoso e frio, para surpresa da maioria, que tinha deixado, de mangas curtas, uma quente Novo Hamburgo, três horas antes. Só que, mesmo abaixo de mau tempo, os olhos de todos se iluminaram por causa da tal emoção sobre a qual me falava o Ju alguns dias antes.

O grupo de estudantes era formado por alunos de diversos adiantamentos no curso. Os mais velhos, na ida, reclamavam porque já não conheciam quase ninguém. E os mais novos, debutando em grande estilo. Todos, entretanto, pareciam estar em igualdade de condições para entender a importância daquele dia.

Na chegada, fomos recebidos pelo simpático Ismael. Ismael é uma espécie de Tatoo da “Ilha da Fantasia” de Ilópolis. É extremamente atencioso com todos, demonstra competência e conhecimento da arquitetura, do museu, do pão, das boas maneiras. Transformou-se num verdadeiro mestre de cerimônias da cidade e, mantendo a analogia com o seriado da década de 80, representa a altura seu “Sr. Roarke”, Marcelo Ferraz.

E foi Ismael que nos pegou pela mão e conduziu pelo belo conjunto de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, que inclui o Museu do Pão, a Oficina de Panificação e a restauração do Moinho Colognese.

Vendo de fora, talvez por causa das cortinas vermelhas, um Pavilhão Alemão de concreto, em plena colônia italiana. Mas isso se a arquitetura só se percebesse com os olhos. Aprendi com meu caro amigo Ricardo, entretanto, que a arquitetura se vê também com os olhos da pele. E é aí que o singelo Museu do Pão ganha do renomado projeto de Mies. À lisura dos planos neoplasticistas, se opõe a variedade de texturas do concreto combinado à madeira. Tudo bem que no pavilhão tem o travertino (e eu, como moro em Roma, adoro travertino!). Só que a pedra, no prédio de Barcelona, está mais ao alcance dos pés do que das mãos. E no museu gaúcho a riqueza do tato está francamente entregue ao toque dos dedos. Eu não me arriscaria a dizer qual dos edifícios é melhor. Acho a comparação injusta. Mas me diverti muito mais no museu.

Tudo parece ter sido pensado com carinho. E é isso que faz a diferença, já que o cuidado dispensado à arquitetura transpira a cada detalhe do projeto, seja na escolha do logotipo do museu – uma antiga pintura encontrada numa das casas da região, na peraltice de optar por apenas três apoios para segurar a laje da sala de exposições, no projeto do corredor avarandado que margeia a oficina de panificação, no desenho das maçanetas, ou em tantos outros pormenores dos edifícios.

E é o Ismael que transforma o museu em teatro. Manipula as cortinas vermelhas do pequeno auditório como se as estivesse abrindo para permitir o início de um grande espetáculo. Promove cada elemento do projeto a protagonista de uma mise en scène do pão e da arquitetura. Desliza os painéis de madeira que protegem a fachada de vidro de maneira a preparar o prédio para as fotos, como quem arruma o cabelo de uma modelo. No antigo moinho, transforma a demonstração da moagem de milho numa excitante experiência, elevando os espectadores a agentes do processo. Tudo com muita alegria e empolgação. E é aí que o pão encontra o circo. Não da maneira alienante preconizada pela política dos antigos imperadores romanos, mas sim na melhor acepção da expressão, que alude, neste caso, à diversão proporcionada pela cultura e identidade de um povo associadas à boa arquitetura e ao respeito pelo lugar.

Disposto a conversar com todos o tempo todo, nosso anfitrião, que é nativo de Ilópolis, tem um discurso surpreendente sobre os critérios de excelência da arquitetura, mas não se limita a falar do edifício. Conta sobre a importância do processo de restauração do moinho e de construção dos novos edifícios, do envolvimento das pessoas do lugar com o trabalho, de como o projeto todo contou com o comprometimento da comunidade. Ainda que boa parte dos moradores da cidade tenha estranhado as formas dos novos edifícios e muitos ainda hoje pensem que o museu está inacabado (afinal, não tem reboco, revestimento, e tal…), quase todo mundo já reconhece a importância do novo Museu do Pão.

No final do passeio, somos conduzidos à Bodega do Moinho. Enquanto no Pavilhão do Mies nos deparamos com as belíssimas e clássicas Poltronas Barcelona (nas quais não se pode sentar), na bodega, podemos nos acomodar em cadeiras de Lina Bo Bardi. Marcelo trabalhou com a arquiteta no começo da carreira e hoje produz os móveis projetados com ela em sua Marcenaria Baraúna. Acho lindos esses encontros. Certamente a arquiteta ítalo-brasileira teria ficado satisfeita de ver uma cidade 98% descendente de italianos tornar-se palco para a arquitetura brasileira de melhor qualidade. Itália e Brasil, neste caso, unidos também pelo convênio que possibilitou a restauração do museu.

“Cadeiras de Lina Bo Bardi”. A última vez que havia me sentado numa delas foi justamente naquele almoço do MASP. Dei-me conta de que não sou tão empedernida como achava. Afinal, desde ontem não consigo parar de pensar. Pensar no surpreendente museu, no belo dos encontros da vida, como aquele dos italianos com os brasileiros. No encontro de Marcelo e Lina, no encontro de Lina com Ilópolis através de Marcelo. E do meu encontro com o pão. E com o circo da boa arquitetura. Sobre o pão, o museu e a arquitetura acho que os Titãs é que tinham mesmo razão: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.”

Vídeo do Museu do Pão

domingo, 27 abril, 2008

Agora temos também um canal no YouTube:

http://br.youtube.com/user/arqfeevale

O primeiro vídeo é da viagem do Sabadarq ao Museu do Pão, abaixo: