Archive for the ‘Re-arquitetura’ Category

2º Fórum Pró-Patrimônio Cultural

quarta-feira, 30 julho, 2008

No próximo dia 16 de agosto acontecerá o 2º Fórum Pró-Patrimônio Cultural, promovido pelo Curso de Arqutietura e Urbanismo da Feevale e pela Associação dos Arquitetos e Engenheiros Civis de Novo Hamburgo – ASAEC, com o patrocínio do CREA-RS.

O Fórum terá como objetivo promover a discussão e a sensibilização da comunidade local sobre a importância da preservação dos centros históricos, como patrimônio cultural e meio de desenvolvimento sustentado das comunidades envolvidas. Através de intervenções exemplares e de depoimentos de agentes envolvidos na preservação, o fórum se propõe a apresentar diferentes maneiras de intervenção e modos de organização estatal e da comunidade para atingir os objetivos traçados. O Fórum se integra ainda às atividades relativas ao Dia do Patrimônio Histórico, que se comemora no dia 17 de agosto, em todo o Brasil.

Como palestrantes teremos:
ARQ. MARCELO FERRAZ, sócio da Brasil Arquitetura (
http://www.brasilarq.com.br/) e autor de um dos projetos mais importantes deste ano, o Museu do Pão (https://arqfeevale.wordpress.com/2008/04/28/pao-e-circo/), em Ilópolis, que aliou arquitetura, resgate histórico e turismo.
ARQ. BETINA ADAMS, do IPUF – Instituto do Patrimônio de Florianópolis (
http://www.ipuf.sc.gov.br/), que nos trará a experiência desenvolvida em Santa Catarina, que tem conseguido aliar a participação da comunidade com a preservação;
ARQ. ALOÍSIO DAUDT, profissional de Novo Hamburgo, que nos trará a experiência de anos trabalhando no levantamento de edificações históricas.

Na parte da manhã, o evento se dará no auditório do Campus 1 da Feevale, que representa para nós as raízes da Feevale em Hamburgo Velho.
Para o almoço, a Comunidade Evangélica de Hamburgo Velho estará nos recebendo com pratos típicos alemães, e a verba arrecada será revertida para os trabalhos de restauração da Igreja.
A tarde haverá uma caminhada pelo bairro, e palestras na Fundação Scheffel.
Para o encerramento, teremos a performance da artista DAGGI DORNELLES, que trabalha a relação da arte, dança e cidade (http://floresurbanas.blogspot.com/)

Mais informações e inscrições:
(www.feevale.br/forumpatrimonio)

 


 

 

 

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Museu projetado por Richard Meier em Roma pode mudar de lugar

quinta-feira, 1 maio, 2008

Via AFP
Ara Pacis

Fachada principal do Museu Ara Pacis. Imagem: Pushpullbar

O novo prefeito de Roma, o ex-neofascista Gianni Alemanno, anunciou nesta quarta-feira que vai trocar de lugar (?!?!) o museu projetado pelo arquiteto americano Richard Meier, situado no coração do centro histórico de Roma, construído no mandato do prefeito esquerdista Walter Veltroni. O museu foi inaugurado em 2006.

Imagem internaA nova construção, que gerou fortes críticas por parte da direita (e também de alguns arquitetos pela falta de integração com o entorno), foi concebido sobre o “altar da paz” [Ara Pacis] concebido pelo imperador César Augusto próximo do rio Tibre no ano 13 a.C e consagrado em 30 de janeiro de 9 a.C. O altar, um pequeno templo de mármore banco construído para homenagear a paz alcançada pelo imperador Augusto com os gauleses e Espanhóis, foi coberto por uma obra típica de Richard Meier (foto).

Anunciou Alemanno durante a sua primeira entrevista à imprensa:

“É preciso tirar dali o museu de Meier. Não está entre nossas prioridades, mas nos comprometemos a revisar as intervenções feitas no centro histórico”

Trata-se da primeira grande obra de arquitetura contemporânea realizada no centro histórico da cidade após o fim da Segunda Guerra Mundial e sua construção gerou numerosas polêmicas.

Arapacis_vaticano
Proximidade da Catedral de São Pedro e o Ara Pacis. Imagem: Google Earth (Clique para ampliar)

Na inauguração, em abril de 2006, Alemanno havia denunciado “a arrogância dos intelectuais de esquerda para com os cidadãos” por terem permitido a construção de uma estrutura moderna sem ter consultado a população. Alemanno declarou também que o museu deverá ser transferido para um bairro periférico.

  • Veja reportagem sobre o Museu Ara Pacis no New York Times, que julgou o trabalho de Meier como uma “falha” e “grande decepção” clicando aqui.

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Pão e Circo

segunda-feira, 28 abril, 2008

Semana passada, eu conversava com meu colega e amigo, Juliano, parceiro de Bloco, sobre arquitetura e emoção. Juliano, recém-chegado de um feriadão em São Paulo, falava, empolgado, sobre como a arquitetura, dentre todas as artes, era a que mais o emocionava. Eu, em silêncio, admirava a empolgação dele e pensava sobre o quão dura havia me tornado nos últimos tempos. Perguntei para ele o que sentia quando experienciava essa tal emoção – afinal, eu sempre me considero tão insensível em relação ao belo… Ele disse que, quando algo o emocionava, não conseguia parar de pensar. Lembrava do edifício a todo tempo, como uma idéia fixa. A resposta, de certa forma, me surpreendeu. É que mulher costuma associar a emoção às lágrimas. Aliás, emoção dessas, de mulherzinha, eu senti mesmo foi quando vi “O Beijo”, de Gustav Klimt. Fiquei paralisada na frente do quadro, exposto no Belvedere, em Viena. Com um nó na garganta, segurei-me para não chorar, porque meu irmão estava junto. E eu não sei bem o porquê, mas não choro na frente de ninguém da minha família. Agora, edifícios não me levavam às lágrimas. Juliano, então, falou-me sobre o vão do MASP. Relatou-me sobre como aqueles 74 metros de vão livre foram capazes de emocioná-lo. E foi aí que me dei conta de que uma das mais recentes – e fortes – emoções que eu senti aconteceu justamente ali, depois do almoço no restaurante do museu paulista. Entretanto o que eu queria mesmo era contabilizar as experiências exclusivamente arquitetônicas. Aos poucos, comecei a vasculhar a mente e o coração e encontrei minha primeira vez na Grand Place, em Bruxelas; um fim de tarde no Capitólio, todas as vezes em que entrei no Pantheon; a Fábrica de Turbinas do Peter Behrens, em Berlim (como é difícil de chegar!); o Convento de La Tourette; o Pavilhão do Mies…

Só que todas essas impressões fortes poderiam ser atribuídas ao fato de que eu sou professora de História da Arquitetura, e que visitar os edifícios que mostramos em aula é sempre muito legal.

Neste sábado, no entanto, a coisa foi diferente. Fui visitar o recém-inaugurado Museu do Pão, na cidade de Ilópolis, com um grupo de estudantes e colegas da Feevale.

Acostumada a viajar por lugares como Roma, Paris, Berlim, Barcelona, Viena, etc. fiquei muito surpresa e encantada por ter encontrado, na interiorana cidadezinha gaúcha, uma jóia da arquitetura brasileira.

O tempo não estava ajudando. Chuvoso e frio, para surpresa da maioria, que tinha deixado, de mangas curtas, uma quente Novo Hamburgo, três horas antes. Só que, mesmo abaixo de mau tempo, os olhos de todos se iluminaram por causa da tal emoção sobre a qual me falava o Ju alguns dias antes.

O grupo de estudantes era formado por alunos de diversos adiantamentos no curso. Os mais velhos, na ida, reclamavam porque já não conheciam quase ninguém. E os mais novos, debutando em grande estilo. Todos, entretanto, pareciam estar em igualdade de condições para entender a importância daquele dia.

Na chegada, fomos recebidos pelo simpático Ismael. Ismael é uma espécie de Tatoo da “Ilha da Fantasia” de Ilópolis. É extremamente atencioso com todos, demonstra competência e conhecimento da arquitetura, do museu, do pão, das boas maneiras. Transformou-se num verdadeiro mestre de cerimônias da cidade e, mantendo a analogia com o seriado da década de 80, representa a altura seu “Sr. Roarke”, Marcelo Ferraz.

E foi Ismael que nos pegou pela mão e conduziu pelo belo conjunto de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, que inclui o Museu do Pão, a Oficina de Panificação e a restauração do Moinho Colognese.

Vendo de fora, talvez por causa das cortinas vermelhas, um Pavilhão Alemão de concreto, em plena colônia italiana. Mas isso se a arquitetura só se percebesse com os olhos. Aprendi com meu caro amigo Ricardo, entretanto, que a arquitetura se vê também com os olhos da pele. E é aí que o singelo Museu do Pão ganha do renomado projeto de Mies. À lisura dos planos neoplasticistas, se opõe a variedade de texturas do concreto combinado à madeira. Tudo bem que no pavilhão tem o travertino (e eu, como moro em Roma, adoro travertino!). Só que a pedra, no prédio de Barcelona, está mais ao alcance dos pés do que das mãos. E no museu gaúcho a riqueza do tato está francamente entregue ao toque dos dedos. Eu não me arriscaria a dizer qual dos edifícios é melhor. Acho a comparação injusta. Mas me diverti muito mais no museu.

Tudo parece ter sido pensado com carinho. E é isso que faz a diferença, já que o cuidado dispensado à arquitetura transpira a cada detalhe do projeto, seja na escolha do logotipo do museu – uma antiga pintura encontrada numa das casas da região, na peraltice de optar por apenas três apoios para segurar a laje da sala de exposições, no projeto do corredor avarandado que margeia a oficina de panificação, no desenho das maçanetas, ou em tantos outros pormenores dos edifícios.

E é o Ismael que transforma o museu em teatro. Manipula as cortinas vermelhas do pequeno auditório como se as estivesse abrindo para permitir o início de um grande espetáculo. Promove cada elemento do projeto a protagonista de uma mise en scène do pão e da arquitetura. Desliza os painéis de madeira que protegem a fachada de vidro de maneira a preparar o prédio para as fotos, como quem arruma o cabelo de uma modelo. No antigo moinho, transforma a demonstração da moagem de milho numa excitante experiência, elevando os espectadores a agentes do processo. Tudo com muita alegria e empolgação. E é aí que o pão encontra o circo. Não da maneira alienante preconizada pela política dos antigos imperadores romanos, mas sim na melhor acepção da expressão, que alude, neste caso, à diversão proporcionada pela cultura e identidade de um povo associadas à boa arquitetura e ao respeito pelo lugar.

Disposto a conversar com todos o tempo todo, nosso anfitrião, que é nativo de Ilópolis, tem um discurso surpreendente sobre os critérios de excelência da arquitetura, mas não se limita a falar do edifício. Conta sobre a importância do processo de restauração do moinho e de construção dos novos edifícios, do envolvimento das pessoas do lugar com o trabalho, de como o projeto todo contou com o comprometimento da comunidade. Ainda que boa parte dos moradores da cidade tenha estranhado as formas dos novos edifícios e muitos ainda hoje pensem que o museu está inacabado (afinal, não tem reboco, revestimento, e tal…), quase todo mundo já reconhece a importância do novo Museu do Pão.

No final do passeio, somos conduzidos à Bodega do Moinho. Enquanto no Pavilhão do Mies nos deparamos com as belíssimas e clássicas Poltronas Barcelona (nas quais não se pode sentar), na bodega, podemos nos acomodar em cadeiras de Lina Bo Bardi. Marcelo trabalhou com a arquiteta no começo da carreira e hoje produz os móveis projetados com ela em sua Marcenaria Baraúna. Acho lindos esses encontros. Certamente a arquiteta ítalo-brasileira teria ficado satisfeita de ver uma cidade 98% descendente de italianos tornar-se palco para a arquitetura brasileira de melhor qualidade. Itália e Brasil, neste caso, unidos também pelo convênio que possibilitou a restauração do museu.

“Cadeiras de Lina Bo Bardi”. A última vez que havia me sentado numa delas foi justamente naquele almoço do MASP. Dei-me conta de que não sou tão empedernida como achava. Afinal, desde ontem não consigo parar de pensar. Pensar no surpreendente museu, no belo dos encontros da vida, como aquele dos italianos com os brasileiros. No encontro de Marcelo e Lina, no encontro de Lina com Ilópolis através de Marcelo. E do meu encontro com o pão. E com o circo da boa arquitetura. Sobre o pão, o museu e a arquitetura acho que os Titãs é que tinham mesmo razão: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.”

Vídeo do Museu do Pão

domingo, 27 abril, 2008

Agora temos também um canal no YouTube:

http://br.youtube.com/user/arqfeevale

O primeiro vídeo é da viagem do Sabadarq ao Museu do Pão, abaixo:

Visita ao “oásis arquitetônico” gaúcho

domingo, 27 abril, 2008

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Ficamos muito satisfeitos não só com a ótima recepção em Ilópolis, mas também com o que vimos: uma arquitetura que pode transformar uma comunidade para melhor. A edição do “Sabadarq na Estrada” permitiu que pudéssemos refletir não apenas sobre o aspecto da qualidade de tudo que foi feito, mas também sobre a influência daquilo que agora está lá na vida das pessoas que vivem na região.

O complexo do Museu do Pão pode ser comparado com um “oásis” por ser um exemplar arquitetônico em um estado onde obras deste nível quase inexistem, além de ser também um local estratégico (assim como um oásis no deserto) de uma nova rota turístico-cultural aqui no Rio Grande do Sul. Vendo tudo aquilo ficamos convencidos que há condições para se fazer uma boa arquitetura no nosso estado, desde que tenhamos o mínimo de organização e vontade de fazer.

Fica aqui um agradecimento especial ao acadêmico de arquitetura Ismael Rosset, que recepcionou o grupo com muita competência e atenção. Ismael demonstrou total domínio de tudo relacionado ao projeto e ao que está acontecendo a partir dele. Muito obrigado e parabéns para comunidade de Ilópolis!

  • Na foto, o grupo da viagem em frente ao Museu do Pão.

É amanhã!

sexta-feira, 25 abril, 2008

Vista aérea do Museu do Pão em Ilópolis

Sabadarq na Estrada, viagem para Ilópolis, a nossa visita ao “já famoso” Museu do Pão (foto). Saída 9h do Campus II.

Previsão do tempo: sol com algumas nuvens (sem chuva, ao que tudo indica).

Não esqueçam de suas câmeras fotográficas, filmadoras, blocos (de desenho e anotações) etc.

São Paulo – Parte 2

segunda-feira, 21 abril, 2008

Ao vivenciar a intervenção de Paulo Mendes da Rocha na Pinacoteca do Estado de São Paulo, lembrei da “nossa” reforma do Mercado Público de Porto Alegre. Mas lembrei com profundo pesar, imaginando como aquilo que está na capital gaúcha poderia ter sido feito de uma maneira não datada como a Pinacoteca exemplarmente foi. Além disso, me levou a ter mais certeza ainda que a execução do projeto também é tarefa primordial na formação e no dia-dia do arquiteto (não consigo superar o fato da cobertura do mercado porto-alegrense estar quase meio metro deslocada do seu eixo de simetria original).

  • Na imagem, o interior da Pinacoteca. Nela, o respeito do arquiteto interventor com a matemática e os eixos compositivos (tanto da intervenção quanto do intervido).