Archive for the ‘Sabadarq’ Category

Sabadarq é NESSE sábado!

terça-feira, 16 junho, 2009

Cartaz-Sabadarq

Você sabe como abrir um escritório depois de se tornar arquiteto(a)?

Você sabe quanto custa um escritório por mês?

Você sabe como contratar um contador? Criar um CNPJ?

Você sabe o que é necessário para manter uma empresa deste porte?

Essas e muitas outras perguntas serão respondidas na nossa palestra chamada “Criação e gerenciamento de um escritório de arquitetura”.

Participarão como palestrantes os arquitetos da UMA Arquitetura [www.uma.arq.br], escritório do Prof Fábio Bortoli.

Portanto convidamos TODOS (independente do semestre que está cursando, afinal, todos serão arquitetos um dia) para o Sabadarq desse sábado (dia 20), as 9:30h na 008 do Arenito.

É só chegar, evento sem inscrição prévia!

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Sabadarq sobre habitação de interesse social

quarta-feira, 15 outubro, 2008

É nesse sábado! Organizem-se!

Cartaz Sabadarq 18-10-08

Não é necessário se inscrever, é só chegar. O tema é de extrema importância na formação do arquiteto, não deixe de comparecer.

Sabadarq na Estrada: três momentos em Porto Alegre

segunda-feira, 16 junho, 2008

Sabadarq_portoalegre

Para quem não sabe, o último Sabadarq desse semestre aconteceu em Porto Alegre, neste sábado que passou. Foram três obras visitadas, numa dose alta de arquitetura de ótima qualidade. Todos ficaram muito satisfeitos de ver a empolgação dos jovens arquitetos responsáveis pela reforma do Palácio da Justiça que renasceu na Praça da Matriz, saindo de uma situação de “quase favela” para uma que faz jus ao seu título. Após o almoço no Mercado Público (um dos prédios mais tradicionais da cidade), chegamos na sede da Fundação Iberê Camargo (foto acima do Prof. Leandro Manenti), que encantou pela sua sutileza impactante (confesso que me emocionei muito com o espaço interno do museu). Como última parada, retornamos para a década de 50 na sede do Jockey Club do Rio Grande do Sul, que, apeser de sua degradação, nos alertou que a boa arquitetura resiste ao tempo, mesmo sofrendo muito com a falta de manutenção e atenção.

Para quem foi, muito obrigado pela companhia e pelos belos momentos que passamos observando o melhor da arquitetura da capital gaúcha. Especial agradecimento para a Profª Luciana Martins, que acompanhou os estudantes na viagem PoA – Novo Hamburgo.

Valeu, e até semestre que vem!

Fotos da obra do Jockey Club do RS

segunda-feira, 9 junho, 2008

Hipódromo do Cristal - Vista aérea 6

Encontrei nos meus antigos arquivos de faculdade algumas fotos da obra do Jockey Club do Rio Grande do Sul (Hipódromo do Cristal), uma das obras que será visitada no próximo sábado, dia 14 no Sabadarq na Estrada.

Um dos maiores exemplares da Arquitetura Moderna no estado, o projeto é de autoria do arquiteto uruguaio Roman Fresnedo Siri, no ano de 1951.

Implantação original Hipódromo do Cristal Hipódromo do Cristal - Vista aérea 1

Hipódromo do Cristal - Vista aérea 2 Hipódromo do Cristal - Obras do Paddock

Hipódromo do Cristal - Obra das baias Hipódromo do Cristal - Vista aérea 3

Hipódromo do Cristal - Vista aérea 4 Hipódromo do Cristal - Vista aérea 5


Só para falar da obra do shopping que está em andamento ao lado deste maravilhoso sítio, observem o total descompromisso com a implantação original (primeira imagem da galeria acima) do complexo do Hipódromo:

Im_2

Além do projeto original ser ignorado totalmente, não existe nenhuma relação (formal ou espacial) com o entorno imediato e com os pavilhões.

Veremos mais no próximo sábado.

Sabadarq na Estrada – Porto Alegre

segunda-feira, 26 maio, 2008

Cartaz-Sabadarq-POA

Estão abertas as inscrições para o próximo Sabadarq na Estrada – Porto Alegre. O evento acontecerá no próximo dia 14 de junho, a partir das 9h.

No roteiro desta viagem teremos as visitas ao Palácio da JustiçaFundação Iberê Camargo e Jockey Club. O Palácio e o Jockey são alguns dos melhores exemplares da arquitetura moderna no Rio Grande do Sul. 

A sede da Fundação (de autoria de Álvaro Siza) talvez seja a obra mais aguardada dos últimos anos. Além disso, seremos a primeira turma de arquitetura a visitar o edifício após a sua inauguração (que acontecerá na próxima sexta-feira).

Inscrições no site www.feevale.br/extensao

Ou link direto aqui.

Vagas limitadas!

Em breve mais um Sabadarq na Estrada!

quarta-feira, 21 maio, 2008

Siza_maquete
Álvaro Siza e a maquete da Fundação. Foto: Juliano Vasconcellos

Está quase tudo acertado para o nosso próximo Sabadarq na Estrada, que será em Porto Alegre. Desta vez teremos três edifícios na lista de visitação, dentre eles a sede da Fundação Iberê Camargo, que será inaugurada no próximo dia 30 com badalação nacional!

Aguardem pois em breve teremos aqui no blog todas as informações sobre a visita. Nesse não tem easter egg!

O novo símbolo da capital

segunda-feira, 5 maio, 2008

Capa-vejaPorto Alegre já teve um “concurso” com eleição popular para a escolha do símbolo da cidade. Lembro que na época concorria a estátua do Laçador, o Monumento aos Açorianos e até o Pôr-do-Sol do Guaíba, entre outros. Se não me falha a memória, fora o Centro Administrativo e a Usina do Gasômetro, não havia nenhum outro objeto arquitetônico que pudesse representar Porto Alegre, como são os casos a Capela da Pampulha em Belo Horizonte, o Copan em São Paulo ou o Cristo Redentor no Rio de Janeiro (sim, considero a estátua oca uma obra de arquitetura, por incrível que pareça).

Há duas semanas chegou às bancas a revista Veja Porto Alegre, que indica os melhores lugares para se comer e beber na cidade. Nesta edição, ela estampa na capa (o padrão para todas as cidades nesse ano é uma “arte de Photoshop” dentro de um prato) o Museu Iberê Camargo, projeto de Álvaro Siza que está com inauguração marcada para o dia 30 de maio.

Mesmo que o museu não tenha caído no gosto de 100% dos moradores da capital, é inegável que sua forma e localização não deixam passar como um objeto qualquer. A quase inexistência de aberturas e o concreto branco da obra já renderam até o apelido de “bunker na beira do Guaíba”, e mesmo assim figura na capa da revista que representa o que tem de melhor na cidade (pelo menos em gastronomia e afins), como mais novo símbolo de Porto Alegre.

O gancho deste post é que o próximo Sabadarq na Estrada será em Porto Alegre, e terá o Museu Iberê Camargo como uma das obras visitadas (já está quase tudo certo). Nos próximos dias divulgaremos aqui no blog mais detalhes da viagem, inscrições e do roteiro de visitação.

  • Leia uma entrevista de Álvaro Siza sobre o projeto do museu aqui.
  • Visite o site da Fundação Iberê Camargo aqui.
  • Veja fotos da obra do Museu Iberê Camargo aqui (Flickr).

Museu do Pão, farinha de outro saco: o da ARQUITETURA!

segunda-feira, 28 abril, 2008

ARQUITETONICAMENTE 1

UMA QUESTÃO DE EMOÇÃO

Para entender um pouco deste atrapalhado e apaixonado texto é obrigatória leitura dos posts da Profa. Ana Carolina, do Prof. Juliano Vasconcellos e o comentário do Prof. José Arthur.

Arquitetura, ser arquiteto, discutir arquitetura, tentar ensinar arquitetura é paixão. É uma profissão e curso que até pode ser vivenciado burocraticamente, mas que desta forma logo perderá o caráter da ARQUItetura que tentamos professar.

O texto emocionado da Ana, Pão e Circo é pura ARQUItetura. ARQUItetonicaMENTE falando.

Ao contrário dela, me emociono fácil. O texto tocou no fundo da alma, talvez por estar ansioso em saber os depoimentos dos colegas e alunos sobre a viagem. Apesar de não ter podido estar de corpo presente (em aula no sábado) em espírito vocês podem estar certos de que eu estava lá. Várias vezes durante o sábado me vi pensando sobre o que estariam fazendo, o que estariam vendo, e louco por nosso encontro da segunda-feira na Feevale.

Os textos postados passam alegria, transbordam prazer arquitetônico, apaixonam a quem lê. São puras manifestações de felicidade, através deles acho que conseguimos viajar por outra dimensão da arquitetura, a dimensão dos sentidos. Arquitetura toca a alma, o coração. Arquitetura se vê com o nariz, com os ouvidos, se vê com as mãos, com a pele. Arquitetura é puro prazer.

Os depoimentos dos colegas Ana e Juliano, e com certeza dos outros “sabadarquianos” da estrada, estão fortemente ligados ao depoimento do colega Arthur no post anterior. Sim, ARQUITETURA (verdadeira e boa arquitetura) DÁ FELICIDADE! E que FELICIDADE.

Como professor de História, também sempre me emociono ao visitar qualquer dos lugares que constam de nossa bibliografia básica, uns mais outros menos.

Mas, emocionar-se com o novo é estar com a alma aberta a viver a vida e a arquitetura, experimentar o frio concreto como calor que queima a alma pela paixão da arquitetura, e como disse o Prof. Juliano vindo de Sampa, “o concreto é o melhor amigo do homem” em muitas situações, quando usado correta e coerentemente.

Emocionar-se com o simples, não necessitamos de malabarismos, materiais caros, exuberância carnavalesca, não, a simplicidade é elegância. Singelas soluções de um espetáculo grandioso, como o Museu do Pão.

Arquitetura é espaço, é emoção, é algo a ser vivido e vivenciado. Arquitetura é complexidade, é conjunto de soluções, mas antes de tudo é arquitetura. É como a boa música, que encanta e que nos faz viajar através das melodias, independente de gostarmos de determinado ritmo, nos recheia a alma. Lembro de algumas pessoas na viagem do curso a Buenos Aires em 2007, que ao ouvir Adiós Nonino, no Café Tortoni, e outros tangos saíram embevecidos pela melodia, e talvez muitos deles, nunca tenham parado para ouvir um tango antes.

Ver as leituras e citações da história através do Museu do Pão reforça o que falamos, eu, Ana, Leandro e Juliano (desculpem se esqueço de alguém): a história é puro projeto, olhar a história da arquitetura como fonte insaciável de prazer, estudo e repertorização para nossa profissão. Olhar o passado como referencial para o presente, é entender a história como algo vivo, presente, e que não quer ser copiada, mas entendida!

Arquitetura é tudo, é conjunto! E se falei de história, busco ajuda do velho Vitrúvio e sua tão falada e às vezes mal entendida tríade: firmitas, utilitas e venustas.

Para ser ARQUITETURA não adianta só funcionar (utilitas), e entenda-se funcionar no sentido mais amplo da expressão, funcionar em todos os quesitos arquitetônicos, desde a simples funcionalidade a complexa questão social.que envolve a arquitetura.

Para ser ARQUITETURA não adianta ser perfeito tecnicamente e parar de pé (firmitas), estar de acordo com as mais avançadas normas e técnicas construtivas de construção, suportar terremotos ou tsunamis e atravessar séculos. A durabilidade não garante qualidade arquitetônica.

Arquitetura tem de tocar a alma, tem falar ao coração, tem que ser pura Venustas. Mas obviamente, da mesma forma também não adianta ser só venustas, precisa o suporte da dimensão material para lhe garantir esta qualidade.

E neste sentido é necessário um olhar contemporâneo para o texto de Vitrúvio e entender que a tríade proposta no tratado (citada uma vez só) em nenhum momento se coloca como tríade, de pesos iguais pelo autor, mas que, firmitas e utilitas são dimensões materiais (e fundamentais) da arquitetura que compõe o aspecto fundamental, de VENUSTAS! E entenda-se venustas também no sentido mais amplo de sua acepção: beleza, deleite, prazer,… .emoção. Venustas, o componente abstrato, na dimensão da alma e da emoção que confere à construção algo tão difícil de ser explicado, mas tão emocionante de ser vivenciado, o significado arquitetônico da obra. ARQUItetonicaMENTE falando, o importante é ser ARQUITETURA e boa, como o caso do Museu do Pão.

Para encerrar este confuso post: já dizia o velho Vitrúvio: “o olho procura o belo”, ou o poeta: “desculpem as feias, mas beleza é fundamental.”

NESTE CASO, DESCULPE A SIMPLES CONSTRUÇÃO, MAS ARQUITETURA É FUNDAMENTAL!!!!

E viva o Museu do Pão que nos faz acreditar na possibilidade boa arquitetura entre nós!!!

E vem aí a inauguração da Fundação Iberê Camargo.

Pão e Circo

segunda-feira, 28 abril, 2008

Semana passada, eu conversava com meu colega e amigo, Juliano, parceiro de Bloco, sobre arquitetura e emoção. Juliano, recém-chegado de um feriadão em São Paulo, falava, empolgado, sobre como a arquitetura, dentre todas as artes, era a que mais o emocionava. Eu, em silêncio, admirava a empolgação dele e pensava sobre o quão dura havia me tornado nos últimos tempos. Perguntei para ele o que sentia quando experienciava essa tal emoção – afinal, eu sempre me considero tão insensível em relação ao belo… Ele disse que, quando algo o emocionava, não conseguia parar de pensar. Lembrava do edifício a todo tempo, como uma idéia fixa. A resposta, de certa forma, me surpreendeu. É que mulher costuma associar a emoção às lágrimas. Aliás, emoção dessas, de mulherzinha, eu senti mesmo foi quando vi “O Beijo”, de Gustav Klimt. Fiquei paralisada na frente do quadro, exposto no Belvedere, em Viena. Com um nó na garganta, segurei-me para não chorar, porque meu irmão estava junto. E eu não sei bem o porquê, mas não choro na frente de ninguém da minha família. Agora, edifícios não me levavam às lágrimas. Juliano, então, falou-me sobre o vão do MASP. Relatou-me sobre como aqueles 74 metros de vão livre foram capazes de emocioná-lo. E foi aí que me dei conta de que uma das mais recentes – e fortes – emoções que eu senti aconteceu justamente ali, depois do almoço no restaurante do museu paulista. Entretanto o que eu queria mesmo era contabilizar as experiências exclusivamente arquitetônicas. Aos poucos, comecei a vasculhar a mente e o coração e encontrei minha primeira vez na Grand Place, em Bruxelas; um fim de tarde no Capitólio, todas as vezes em que entrei no Pantheon; a Fábrica de Turbinas do Peter Behrens, em Berlim (como é difícil de chegar!); o Convento de La Tourette; o Pavilhão do Mies…

Só que todas essas impressões fortes poderiam ser atribuídas ao fato de que eu sou professora de História da Arquitetura, e que visitar os edifícios que mostramos em aula é sempre muito legal.

Neste sábado, no entanto, a coisa foi diferente. Fui visitar o recém-inaugurado Museu do Pão, na cidade de Ilópolis, com um grupo de estudantes e colegas da Feevale.

Acostumada a viajar por lugares como Roma, Paris, Berlim, Barcelona, Viena, etc. fiquei muito surpresa e encantada por ter encontrado, na interiorana cidadezinha gaúcha, uma jóia da arquitetura brasileira.

O tempo não estava ajudando. Chuvoso e frio, para surpresa da maioria, que tinha deixado, de mangas curtas, uma quente Novo Hamburgo, três horas antes. Só que, mesmo abaixo de mau tempo, os olhos de todos se iluminaram por causa da tal emoção sobre a qual me falava o Ju alguns dias antes.

O grupo de estudantes era formado por alunos de diversos adiantamentos no curso. Os mais velhos, na ida, reclamavam porque já não conheciam quase ninguém. E os mais novos, debutando em grande estilo. Todos, entretanto, pareciam estar em igualdade de condições para entender a importância daquele dia.

Na chegada, fomos recebidos pelo simpático Ismael. Ismael é uma espécie de Tatoo da “Ilha da Fantasia” de Ilópolis. É extremamente atencioso com todos, demonstra competência e conhecimento da arquitetura, do museu, do pão, das boas maneiras. Transformou-se num verdadeiro mestre de cerimônias da cidade e, mantendo a analogia com o seriado da década de 80, representa a altura seu “Sr. Roarke”, Marcelo Ferraz.

E foi Ismael que nos pegou pela mão e conduziu pelo belo conjunto de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, que inclui o Museu do Pão, a Oficina de Panificação e a restauração do Moinho Colognese.

Vendo de fora, talvez por causa das cortinas vermelhas, um Pavilhão Alemão de concreto, em plena colônia italiana. Mas isso se a arquitetura só se percebesse com os olhos. Aprendi com meu caro amigo Ricardo, entretanto, que a arquitetura se vê também com os olhos da pele. E é aí que o singelo Museu do Pão ganha do renomado projeto de Mies. À lisura dos planos neoplasticistas, se opõe a variedade de texturas do concreto combinado à madeira. Tudo bem que no pavilhão tem o travertino (e eu, como moro em Roma, adoro travertino!). Só que a pedra, no prédio de Barcelona, está mais ao alcance dos pés do que das mãos. E no museu gaúcho a riqueza do tato está francamente entregue ao toque dos dedos. Eu não me arriscaria a dizer qual dos edifícios é melhor. Acho a comparação injusta. Mas me diverti muito mais no museu.

Tudo parece ter sido pensado com carinho. E é isso que faz a diferença, já que o cuidado dispensado à arquitetura transpira a cada detalhe do projeto, seja na escolha do logotipo do museu – uma antiga pintura encontrada numa das casas da região, na peraltice de optar por apenas três apoios para segurar a laje da sala de exposições, no projeto do corredor avarandado que margeia a oficina de panificação, no desenho das maçanetas, ou em tantos outros pormenores dos edifícios.

E é o Ismael que transforma o museu em teatro. Manipula as cortinas vermelhas do pequeno auditório como se as estivesse abrindo para permitir o início de um grande espetáculo. Promove cada elemento do projeto a protagonista de uma mise en scène do pão e da arquitetura. Desliza os painéis de madeira que protegem a fachada de vidro de maneira a preparar o prédio para as fotos, como quem arruma o cabelo de uma modelo. No antigo moinho, transforma a demonstração da moagem de milho numa excitante experiência, elevando os espectadores a agentes do processo. Tudo com muita alegria e empolgação. E é aí que o pão encontra o circo. Não da maneira alienante preconizada pela política dos antigos imperadores romanos, mas sim na melhor acepção da expressão, que alude, neste caso, à diversão proporcionada pela cultura e identidade de um povo associadas à boa arquitetura e ao respeito pelo lugar.

Disposto a conversar com todos o tempo todo, nosso anfitrião, que é nativo de Ilópolis, tem um discurso surpreendente sobre os critérios de excelência da arquitetura, mas não se limita a falar do edifício. Conta sobre a importância do processo de restauração do moinho e de construção dos novos edifícios, do envolvimento das pessoas do lugar com o trabalho, de como o projeto todo contou com o comprometimento da comunidade. Ainda que boa parte dos moradores da cidade tenha estranhado as formas dos novos edifícios e muitos ainda hoje pensem que o museu está inacabado (afinal, não tem reboco, revestimento, e tal…), quase todo mundo já reconhece a importância do novo Museu do Pão.

No final do passeio, somos conduzidos à Bodega do Moinho. Enquanto no Pavilhão do Mies nos deparamos com as belíssimas e clássicas Poltronas Barcelona (nas quais não se pode sentar), na bodega, podemos nos acomodar em cadeiras de Lina Bo Bardi. Marcelo trabalhou com a arquiteta no começo da carreira e hoje produz os móveis projetados com ela em sua Marcenaria Baraúna. Acho lindos esses encontros. Certamente a arquiteta ítalo-brasileira teria ficado satisfeita de ver uma cidade 98% descendente de italianos tornar-se palco para a arquitetura brasileira de melhor qualidade. Itália e Brasil, neste caso, unidos também pelo convênio que possibilitou a restauração do museu.

“Cadeiras de Lina Bo Bardi”. A última vez que havia me sentado numa delas foi justamente naquele almoço do MASP. Dei-me conta de que não sou tão empedernida como achava. Afinal, desde ontem não consigo parar de pensar. Pensar no surpreendente museu, no belo dos encontros da vida, como aquele dos italianos com os brasileiros. No encontro de Marcelo e Lina, no encontro de Lina com Ilópolis através de Marcelo. E do meu encontro com o pão. E com o circo da boa arquitetura. Sobre o pão, o museu e a arquitetura acho que os Titãs é que tinham mesmo razão: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.”

Visita ao “oásis arquitetônico” gaúcho

domingo, 27 abril, 2008

P4260143

Ficamos muito satisfeitos não só com a ótima recepção em Ilópolis, mas também com o que vimos: uma arquitetura que pode transformar uma comunidade para melhor. A edição do “Sabadarq na Estrada” permitiu que pudéssemos refletir não apenas sobre o aspecto da qualidade de tudo que foi feito, mas também sobre a influência daquilo que agora está lá na vida das pessoas que vivem na região.

O complexo do Museu do Pão pode ser comparado com um “oásis” por ser um exemplar arquitetônico em um estado onde obras deste nível quase inexistem, além de ser também um local estratégico (assim como um oásis no deserto) de uma nova rota turístico-cultural aqui no Rio Grande do Sul. Vendo tudo aquilo ficamos convencidos que há condições para se fazer uma boa arquitetura no nosso estado, desde que tenhamos o mínimo de organização e vontade de fazer.

Fica aqui um agradecimento especial ao acadêmico de arquitetura Ismael Rosset, que recepcionou o grupo com muita competência e atenção. Ismael demonstrou total domínio de tudo relacionado ao projeto e ao que está acontecendo a partir dele. Muito obrigado e parabéns para comunidade de Ilópolis!

  • Na foto, o grupo da viagem em frente ao Museu do Pão.